O Coletivo Camaradas, organização atuante no Território Criativo do Gesso, em Crato (CE), encaminhou um ofício às secretarias municipais e ao Gabinete do Prefeito exigindo medidas concretas para a implementação da Lei Municipal nº 3.612/2019, que reconhece o Sítio Urbano do Gesso como área de preservação ambiental e desenvolvimento comunitário.
O documento, assinado pela presidenta Tayná da Silva Batista, alerta para a falta de respostas da gestão municipal sobre projeto aprovado desde 2023, pelo Conselho Municipal de Meio Ambiente, mas que permanece parado na Procuradoria do Município sem qualquer devolutiva formal.
Localizado nas margens da linha férrea, entre a Estação da RFFSA e a Escola Profissionalizante Violeta Arraes, o Sítio Urbano do Gesso é um projeto pioneiro que alia sustentabilidade e direitos humanos. A área, que integra o Plano Diretor do Crato, promove segurança alimentar, acesso a plantas medicinais e participação comunitária, além de servir como espaço verde urbano para mitigar os efeitos das mudanças climáticas.
Apesar de conquistas como o mapeamento técnico realizado pela URCA e a realização de duas edições da Semana do Sítio Urbano, o Coletivo Camaradas denuncia o descaso institucional. A ausência de diálogo por parte do poder público viola a Lei de Acesso à Informação (12.527/2011) e coloca em risco a manutenção deste importante espaço comunitário.
A requalificação do Sítio Urbano do Gesso está previsto no Plano do Diretor do Munícipio e é resultado da participação dos movimentos sociais no processo de revisão do Plano aprovado em dezembro de 2024.
Entre as demandas apresentadas, destacam-se a necessidade de calendarizar serviços de poda e orientação técnica permanente, garantir a limpeza e irrigação contínuas do complexo que compreende a Praça da RFFSA, Quadra e Sítio Urbano, além da liberação de recursos do Fundo Municipal de Meio Ambiente para organizações da sociedade civil.
O documento também está sendo encaminhado para o Ministério Público a título de conhecimento, tendo em vista, que a atual gestão e a anterior se omitiram em responder formalmente as solicitações realizadas pelo Coletivo Camaradas. De acordo com os dirigentes do Camaradas, outras representações sociais estão sem respostas como é o caso da Comissão Municipal do Cultura Viva. A organização se coloca à disposição para ampliar o debate sobre o direito à cidade e a construção coletiva de políticas públicas.
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